segunda-feira, 30 de novembro de 2009

ALGUNS DISPOSITIVOS UTILIZADOS POR DEFICIENTES DA VISÃO

Sistema Braile

O Braille é um sistema de escrita e leitura tátil para as pessoas cegas. Surgiu na França em 1825, sendo o seu criador o francês Louis Braille que ficou cego aos três anos de idade vítima de um acidente seguido de oftalmia.
Este sistema consta do arranjo de seis pontos em relevo, dispostos na vertical em duas colunas de três pontos cada. Os seis pontos formam o que se convencionou chamar "cela braille".


Cela Braile

Numeração convencional dos pontos

O Braille pode ser produzido por impressoras elétricas e computadorizadas; máquina de datilografia e, manualmente, através de reglete e punção.

Reglete


Punção

A diferente disposição dos pontos permite a formação de 63 combinações ou símbolos Braille para anotações Científicas, música, estenografia.

Alfabeto Braile

Sorobã

O ábaco ou sorobã é um instrumento de calcular utilizado há milhares de anos, sua origem não é bem definida pelos historiadores, mas alguns autores ele teria sido introduzido na Grécia, por Pitágoras, filósofo que viveu no século VI antes de cristo.
No Japão o ensino do sorobã é matéria obrigatória desde o curso primário e é considerado de grande importância para o desenvolvimento profissional. No Brasil esse instrumento veio com os imigrantes japoneses no ano de 1908, mas só ficou conhecido anos depois com a chegada do professor Fukutaro Kato.

Sorobã

Apesar de todo avanço tecnológico o Sorobã continua sendo um instrumento indispensável para o deficiente visual, não só em seus estudos matemáticos, como também em sua vida cotidiana e no trabalho. Diferentemente de uma calculadora, o Sorobã não realiza cálculos, é somente um meio para se efetuar cálculos. Através da prática do Sorobã o aluno atinge objetivos como aguçar sua inteligência e o funcionamento do cérebro; desenvolver a memória e auto confiança; exercitar a perseverança e a paciência, além de resolver problemas de matemática com rapidez e perfeição.

DOSVOX

O DOSVOX é um sistema para microcomputadores da linha PC que se comunica com o usuário através de síntese de voz, viabilizando, deste modo, o uso de computadores por deficientes visuais, que adquirem assim, um alto grau de independência no estudo e no trabalho.
O sistema realiza a comunicação com o deficiente visual através de síntese de voz em Português, sendo que a síntese de textos pode ser configurada para outros idiomas.
No DOSVOX a comunicação homem-máquina é muito simples e leva em conta as especificidades e limitações dessas pessoas. Ao invés de simplesmente ler o que está escrito na tela, o DOSVOX estabelece um diálogo amigável, através de programas específicos e interfaces adaptativas. Isso o torna insuperável em qualidade e facilidade de uso para os usuários que vêm no computador um meio de comunicação e acesso que deve ser o mais confortável e amigável possível.

Tela Inicial do DosVox

O programa é composto por sistema operacional que contém os elementos de interface com o usuário; sistema de síntese de fala; editor, leitor e impressor/formatador de textos; impressor/formatador para braille; diversos programas de uso geral para o cego, como jogos de caráter didático e lúdico; ampliador de telas para pessoas com visão reduzida; programas para ajuda à educação de crianças com deficiência visual, entre outros.

RECURSOS ÓPTICOS

São dispositivos geralmente prescritos por oftalmologista. Estes dispositivos são compostos por lentes para ajustar ou aumentar a imagem visual. Óculos bifocais, prismas, lentes de contato ou ligeiramente tingidas ou escuras e telessistemas são exemplos de dispositivos ópticos.
A criança pode usar esses dispositivos nas mãos ou ainda usá-los em armações de óculos. A utilização desses recursos possibilita à criança a visualização de objetos distantes e demonstraçõpes dentro de sala de aula.

RECURSOS NÃO-ÓPTICOS

Não envolvem lentes e não são necessariamente indicados por especialistas (oftalmologista). Mesas adaptadas, desenvolvidas especialmente para pessoas com visão subnormal, por exemplo, ajudam a evitar a fadiga de postura. Esta mesa pode ser improvisada com a utilização de livros embaixo do texto a ser lido para deixá-lo mais próximo dos olhos do leitor.
Canetas tipo pincel anatômico, preferencialmente preto, produzem uma grafia grossa e facilita a visualização de letras e desenhos. Acetato, para escurecer a impressão, luminárias para intensificar a luz, livros com tipos ampliados, papel com pauta em negrito, marcadores de página e janelas de leitura, são exemplos de recursos úteis para propiciar ao aluno com visão subnormal melhor desempenho dentro de sala de aula.

OUTROS RECURSOS

Pode ser utilizado pelas crianças algum tipo de gravador para gravar explicações, fazer seus próprios comentários, gravar o para casa, entre outros. Áudiobooks também são muito utilizados.
Para as aulas de educação física podem ser utilizadas bolas com guizos, localizadores de gol sonoros entre outros equipamentos adaptados.
Alguns recursos eletrônicos, tais como calculadoras que falam, circuito-fechado de televisão com sistema de ampliação. televisões de circuito-fechado (CCTVs) que ampliam etronicamente o material impresso sobre uma tela de televisão também são de grande valia.
CONHECENDO A DEFICIÊNCIA VISUAL

Segundo Lemos (1978), a deficiência visual é classificada em duas ordens: a cegueira e a visão subnormal (ou baixa visão). Visão Subnormal é a alteração da capacidade funcional da visão, decorrente de inúmeros fatores isolados ou associados, tais como: baixa acuidade visual significativa, redução importante do campo visual, alterações corticais e/ou de sensibilidade aos contrastes, que interferem ou que limitam o desempenho visual do indivíduo.
Essa classificação toma conotações diferenciadas quando observadas pela ótica médica ou pela ótica educacional. Bruno (1997) nos diz que para fins educacionais, considera-se cega a criança com ausência total da visão até casos onde ocorre a perda da projeção de luz. Para casos de baixa visão, a medida parte desde condições de indicar projeção de luz, até o grau em que a acuidade visual reduzida interfere ou limita seu desempenho.
Bruno (1997) afirma ainda que independentemente da idade, patologia ocular e medida da acuidade, cada indivíduo terá seu próprio desempenho visual e grande parte dos alunos considerados clinicamente cegos, pode ter capacidade visual para atividades de leitura e escrita por meios visuais.
Para o diagnóstico médico, considera-se cega a pessoa com acuidade visual inferior a 0,05 em ambos os olhos, após a máxima correção óptica possível, tendo como referência a tabela de Snellen e campo visual inferior a 20º. Na avaliação clínica, a baixa visão ou visão subnormal é considerada a partir da acuidade visual de 0,05 a 0,3 em ambos os olhos, após a máxima correção, ou seja, após a prescrição de lentes, caso seja necessário.
A diferença básica entre a avaliação educacional para a avaliação clínica é que a primeira tem como parâmetro o funcionamento visual do indivíduo que, em outras palavras, significa o modo como a pessoa utiliza seu resíduo visual, em uma análise qualitativa. A avaliação clínica toma como referência medidas numéricas (quantitativas), a partir da utilização de uma escala apresentada em uma tabela, para a qual geralmente é utilizada a Escala Optométrica de Snellen.
A perda da função visual pode se dar em nível severo, moderado ou leve, podendo ser influenciada também por fatores ambientais inadequados. Para um melhor entendimento do déficit visual, Leonhardt (1992) apresenta a seguinte classificação:

a) cegueira congênita: os que apresentam cegueira no momento do nascimento ou em um período imediato, como no caso da retinopatia da prematuridade;

b) baixa visão: São aqueles cuja acuidade visual é inferior a 10-30%, porém, considera-se a eficiência visual o principal valor a ser levado em conta. Fatores como inteligência geral, motivação, estimulação visual, as influências do meio e a própria individualidade da criança com sua capacidade pessoal, intervém no melhor aproveitamento da visão residual;

c) cegueira adquirida depois dos primeiros 12 meses de vida: deve-se levar em conta que estas crianças enxergaram, de alguma forma, durante as primeiras etapas. O que viram, ainda que de forma borrada e incompleta, interferiu em sua organização mental e no período sensóriomotor, assim como na interação social, o que influirá de forma decisiva na aquisição de etapas posteriores. Ainda que estas crianças não tenham retido imagens úteis, tiveram benefícios na formação de estruturas mentais baseadas na visão;

d) cegos ou com baixa visão com comprometimentos em seu sistema nervoso central: Apresentam uma maior heterogeneidade no seu desenvolvimento, dependendo do comprometimento de diferentes áreas cerebrais. O ritmo de evolução da criança será ainda mais lento e a precocidade da intervenção profissional é mais urgente.

A deficiência visual pode surgir devido a causas congênitas ou adquiridas. Segundo o MEC (2006), as causas mais freqüentes da deficiência visual congênita são:

a) Retinopatia da Prematuridade, graus III, IV ou V – (por imaturidade da retina em virtude do parto prematuro, ou por excesso de oxigênio na incubadora);

b) Coriorretinite, por toxoplasmose na gestação;

c) Catarata congênita devido à rubéola, infecções na gestação ou causa hereditária;

d) Glaucoma congênito (hereditário ou por infecções);

e) Atrofia óptica por problemas de parto (hipoxia, anoxia ou infecções perinatais);

f) Degenerações da retina (Síndrome de Leber, retinoblastoma, doenças hereditárias ou diabetes);

g) Deficiência visual cortical (encefalopatias, alterações do sistema nervoso central ou convulsões).

As causas mais comuns da deficiência visual adquirida são as doenças como diabetes, o descolamento de retina, glaucoma e catarata (que também podem ser congênitas) e traumas oculares (acidentes).

A DEFICIÊNCIA VISUAL E ALGUMAS IMPLICAÇÕES NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

Podemos dizer que a visão é o sentido responsável pela integração das experiências sensório-motoras. A visão desempenha “um papel básico como organizador da experiência na função de síntese e na formação de imagens no pensamento” (LEONHARDT, 1992). Através dela, o bebê explora seu mundo circundante e, instintivamente, realiza exercícios funcionais com a cabeça, que mais tarde serão essenciais para a constituição do sistema vestibular, responsável pelo equilíbrio, movimentos harmoniosos e postura adequada.
O sistema vestibular, segundo Blanco e Rubio (1993), detecta a posição e o movimento do corpo no espaço, a partir da informação captada por receptores situados em estruturas especializadas que formam parte do ouvido interno.
Segundo Barraga “A visão é responsável por 80% das informações recebidas acerca do ambiente e proporciona um estímulo à curiosidade da criança vidente, que terá condições de integrá-los em uma totalidade”. Portanto, “a visão desempenha um papel básico como organizador da experiência da função de síntese e da formação de imagens no pensamento” (LEONHARDT, 1992, p. 08).
CORSI, 2001 afirma que a habilidade de ver não é inata mas sim aprendida. Dessa forma, a visão no neonato não está completamente desenvolvida e atinge seu auge por volta dos sete anos de idade (ANDRADE, [s.d]). O seu amplo desenvolvimento depende também dos estímulos recebidos durante as fases do desenvolvimento, sendo que alguns estímulos ocorrem de maneira voluntária. Um exemplo clássico é a cena em que o bebê, sentado em sua cadeirinha, derruba algo no chão e fica observando. Ao ter de volta o objeto, volta a lançá-lo ao chão, permanecendo nesta brincadeira enquanto houver alguém que lhe alcance novamente o objeto.
A deficiência visual exige que experiências alternativas sejam desenvolvidas para que inteligência seja cultivada e a criança consiga se adaptar. A idéia de que crianças com deficiência visual nascem sempre bem dotadas de outras aptidões é tão errônea quanto a idéia de que sua deficiência a torne incapaz. A criança deve ser estimulada a desenvolver novas aptidões.
O desenvolvimento tátil é o ponto central a ser estimulado e desenvolvido pelas crianças. No processo de desenvolvimento tátil, segundo Grifin e Gerber (1996), está implícita a compreensão de sequências como: a consciência de qualidade tátil; o reconhecimento da estrutura e da relação das partes com o todo; a compreensão de representações gráficas e a utilização de simbologia.
O sentido do tato deve começar com a atenção voltada a texturas, superfícies vibráteis, diferenças de consistências, temperaturas, entre outras.

VISÃO SUBNORMAL

Indivíduos com visão subnormal são aqueles que apresentam “desde condições de indicar projeção de luz, até o grau em que a redução da acuidade visual interfere ou limita seu desempenho". O desenvolvimento do processo educativo desses indivíduos se dará predominantemente, por meios visuais, com auxílio de recursos específicos para a aprendizagem.
Crianças com visão subnormal podem ou não apresentar déficit cognitivo como consequência de sua deficiência e o processo de aprendizagem se fará através do outros sentidos como a audição e o tato. O sistema Braille é o principal meio de comunicação escrita utilizado por pessoas com visão subnormal, porém muitos indivíduos conseguem desenvolver a comunicação manuscrita.
A visão é decorrente da conexão entre o “ver” e o “olhar”. O “ver” tem caráter fisiológico e envolve a percepção através do olho por padrões de luz e transferência de informações do olho para o cérebro. Pessoas com deficiência visual com visão subnormal ou baixa visão não possui capacidade de “ver” e reconhecer visualmente o mundo ao seu redor.
O “olhar”, no entanto, é de caráter cognitivo e psicológico. O cérebro usa de diversos artifícios, combinando operações perceptivas e conceituais para interpretar o significado dos estímulos visuais. Dessa forma, se uma criança com deficiência visual for devidamente estimulada, ela apresentará um desenvolvimento visual e habilidades visuais consistentes no ato de “olhar”.
Assim sendo, pessoas com deficiência visual não podem ser classificadas em grupos homogêneos, divididos por características comuns de aprendizagem. Suas características e necessidades educacionais devem ser estudadas caso a caso, a fim de se conhecer cada caso individualmente, analisando as necessidades e a o potencial de cada um.

domingo, 29 de novembro de 2009

Apresentacao: Inclusão e Tecnologias Assistivas

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Vídeo ilustrativo do processo de inclusão da EE Senador Firmino Muller - MS



O vídeo retrata a diferença entre o soroban e o cubaritmo



O vídeo retrata a prática de uso do soroban pelo deficiente visual



Vídeo que retrata a prática de uso do soroban



Vídeo ilustrativo do DosVox. Produzido pela UFRJ.



O vídeo aborda o Estatuto do idoso em Braille em uma associação em Vila Izabel, Zona Norte do Rio de Janeiro, abordando a importância do sistema Braille na garantia da comunicação e autonomia do deficiente visual. O filme retrata ainda os instrumentos e suas possibilidades de transcrição em Braille, esclarecendo com o significado na construção das políticas afirmativas dos direitos do portadores de deficiência visual.



Vídeo ilustrativo da importância do acesso ao material em Braille.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Teatro Espontâneo: adolescentes com baixa visão

VISITE O SITE

http://www.baixa-visao.com

Seminário Virtual

Inclusão: Seu olhar faz a diferença!
Tecnologias na Educação – PUC RJ

APRESENTAÇÃO

Este trabalho foi desenvolvido por alunos do curso de Especialização em Tecnologias Aplicadas à Educação da PUC – RJ para a participação em um seminário virtual com o tema: INCLUSÃO E TECNOLOGIAS ASSISTIVAS.

O tema do nosso grupo no seminário é Visão Subnormal, com Perceptível Déficit Cognitivo, um assunto muito novo pra maioria dos integrantes do grupo, o que tornou o trabalho um grande desafio.